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Suspiros cotidianamente...


 

 

Visite o novo endereço: www.suspiropoema.blogspot.com



Escrito por Ana Clara Rebouças às 20h44
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Da poesia enquanto vida: www.suspiropoema.blogspot.com



Escrito por Ana Clara Rebouças às 13h47
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Nomes e Virtudes em: www.suspiropoema.blogspot.com



Escrito por Ana Clara Rebouças às 10h38
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Para quem ainda não conhece a casa nova: www.suspiropoema.blogspot.com



Escrito por Ana Clara Rebouças às 17h23
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(Ju e eu, lá no samba, nos idos de 2010)

Casa Nova

Caríssimas (os) leitoras (es) deste blog,

É com muita alegria e prazer que comunico aqui a nossa mudança de endereço! Sim, o Suspiro está de casa nova! Depois de quase três anos ocupando este espaço bem modesto, mas tão caro a mim, cheio de altos e baixos, conforme as circunstâncias todas da vida, as oscilações da rotina, o ir e vir dos dias me permitiram criar mais ou menos, mudamos finalmente. Pois bem, atendendo aos pedidos e com o apoio da gente amiga que sempre incentiva esta aspirante a escritora que vos fala, passamos deste “quarto e sala” a uma casa mais ampla, quer dizer, com mais recursos de edição, mais arejada, mais confortável, mais leve – como poderão conferir – e mais bonita com certeza!

Como nem tudo são flores, e como é inerente a toda mudança – apesar da euforia feliz que traz o novo – há também as demandas de muito esforço, de adaptação e de paciência minha, de todos que por aqui passam. Sendo assim, comunico também que todo o processo de acomodação das “mobílias”, dos textos nas estantes, das memórias, dos afetos todos será um tanto quanto demorado, quiçá, nunca se completará porque, assim como em toda mudança, há sempre aqueles intransponíveis, por exemplo, o cheiro da casa, o jeito próprio das paredes, os ruídos, as histórias do lugar. Exemplo disto são os comentários muito lindos, muito generosos que recebi ao longo destes anos e os quais não poderei deslocar.

Em contrapartida, casa nova é sempre convidativa às visitas, às boas e renovadas idéias, aos inusitados, às cotidianidades todas que me chegam como súplicas a uma palavra ou uma frase sugestivas, que se rendem à oração, esta que se desdobra em parágrafos, os quais finalmente nascem texto. É assim. Que seja assim suspirar na casa nova!  Sejam bem todos (as) vindos (as)!

O novo endereço:  www.suspiropoema.blogspot.com

Ana Clara Rebouças

P.S: agradecimento especial à Juliana Rangel, a designer mais digna do mundo!

 



Escrito por Ana Clara Rebouças às 22h06
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(Da série: Lírios, Rosas e Outras Doçuras. Por Ana Clara Rebouças, São Paulo, SP, 2011)

 

Tanto quanto a rosa...

Porque dia desses eu me emocionava muito com o fato do amor ser dado à simplicidade. Porque o amor – aqueles que de tão pleno e profundo não cabe mesmo em si – cabe em uma rosa ou em bouquet; cabe em um lírio ou em um campo infinito de lavandas; na correspondência exata do segundo de um olhar ou nos entendimentos que se desvelam palavra a palavra, anos a fio. Isto significa dizer, por exemplo, que o amor – que é amor de verdade – se reconhece desnudo das vaidades todas: ou seja, cabe tanto em uma rosa, quanto em uma dúzia delas. Cabe também na humildade do perdão.

Porque outro dia eu me encontrava com um verso do nosso poeta, talvez, o mais apaixonado dos poetas desta nossa “pátria mãe gentil”; e ele pedia piedade, em sua Elegia Desesperada, pelo “mocinho franzino que só tem de seu as costelas e a namorada pequenina”. Daí, eu havia discordado do poeta – muito embora ele não necessariamente tenha pretendido este sentido – pois, em matéria de amar, nunca se pode ter “só” uma “namorada pequenina”, aliás, o amor mais absoluto cabe tanto na pequenez de uma primeira namorada quanto nas mãos frondosas dos amantes de uma vida toda compartilhada.

Porque dia desses eu celebrava a dádiva do amor; a coisa rara e ímpar que ele é. O amor, por exemplo, considera o ser amado assim tão infinitamente apaixonante esteja ele conduzindo um “Chevrolet gosmento”, aquele estimado por outro poeta nosso, como dentro de uma Limusine. Amor adora tanto os trejeitos quanto os grandes atos para a contemplação: daí porque cabe tanto aquele jeito, tão próprio, de franzir a testa, quanto aquelas surpresas arrebatadoras de meio de tarde; daí porque tanto cabe aquela rosa quanto um mar delas, um infinito delas. Disto tudo então se depreende que o amor é – ou deveria ser – dado a desapegos estes que o divinizam, o amor. Santificado seja o amor.

Ana Clara Rebouças



Escrito por Ana Clara Rebouças às 13h20
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(Da série: Lírios, Rosas e Outras Doçuras. Por Ana Clara Rebouças, São Paulo, SP, 2011)

Do amor, dos excessos

É bem verdade que tenho aprendido muito sobre o amor – e não apenas por praticá-lo com a devoção convicta daqueles que aprenderam que a vida só é viável porque se ama – mas também a partir das fontes mais variadas e inusitadas do saber humano. Uma delas – por mais incrível e improvável que pareça – vem da ciência que estuda as culturas, mais precisamente, do próprio método que, por excelência, as desnuda: a etnografia.

Sim, a etnografia! Explicando: é que o etnógrafo, em seu empenho de revelar os segredos mais ocultos de uma gente, se aproxima e se afasta dela e assim o faz para melhor reconhecê-la então. Clareando mais, ou tentando: é como se fosse necessário ao pesquisador, mesmo ávido pela proximidade – tal como os amantes o são – como se fosse essencial estar sempre entrando e saindo de cena – tal qual o amor – porque as revelações se fazem de dentro mesmo, mas é do lado de fora que se enxergam melhor os encantamentos todos, inclusive, com o olhar de primeira vez. É assim também o amor, em suas entradas e saídas. O amor tem recuos e impulsos; reveses e ímpetos; curvas e retas; caminhos, descaminhos. Inclusive, foi assim que aprendi que amor há de ser também liberdade, ao menos, aquela de se ir e vir; e o amor – se é mesmo amor – estará sempre ali.

O amor também é político. E político na acepção mais densa da palavra, algo como se “O Príncipe” fosse pensado não apenas para ser útil aos Estados, mas ao amor igualmente. Porque quando Maquiavel diz, por exemplo, que “os príncipes devem manter a fé da palavra dada”, os amantes também.  Ou quando defende que, para ser estimado, um “príncipe deve empenhar-se em dar de si, com cada ação, conceito de grande homem e de inteligência extraordinária”: assim também procede ao amor, feito todo – ou deveria ser – de grandeza e sabedorias. Portanto – não se enganem os mais inadvertidos – amar é, em alguma medida, um ato político.

Todavia, na contramão de toda estratégia política, o amor transcende a lógica, a cultura, a ciência, a poesia, ou toda e qualquer sorte de explicação. Amor não cabe, por exemplo, na teoria do caos, na entropia do universo, na Quântica. Amor é amor, assim soberano, assim insondável. É algo como diria o poeta: “o coração tem razões que a própria razão desconhece”. Exemplo disto está nas próprias ações dos amantes: porque todo mundo pratica excessos quando ama. Continuemos, pois, excessivos: ah, o amor...

Ana Clara Rebouças

 



Escrito por Ana Clara Rebouças às 00h16
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(...os amarelos de Van Gogh)

 

Depois...

A goiabada na geladeira era uma espécie de marcador angustiante do tempo. Haveria comprado para presentear uma daquelas histórias que se vive e que poderia ter sido um “felizes para sempre” entre os entretantos todos. Desistiu do presente, de certo modo, virou passado. Passaram a conviver diariamente com a doce lembrança solitária, na estante fria. Apesar da presença impertinente, o doce embalava a fluência leve dos dias enquanto construíam nos atos, nos gestos, nos fatos, olhares, suspiros isto que se chama amor. Sim, porque amor é mesmo todo ele tecido pelas cotidianidades.

Passaram-se um, dois, três meses da presença irritante do doce, todavia mais apaziguadora que poderia supor à primeira vista. Conviviam, ela e o doce, tal qual a maioria dos casais apaixonados, mas que se desconfiam ou, na melhor das hipóteses, aprendeu a espreitar aquilo que chamam de “relações”: tensamente felizes, portanto. Feliz e tensa toda vez que abria a geladeira e se deparava com a persistência conveniente da barra escura, açucarada, quase pétrea pelo tempo, pela frieza da distância daqueles que não convivem mais. E ela, ante o doce frio, estático, ali na geladeira, tensa e feliz entre as cotidianidades todas do amor.

Passaram-se mais meses e meses, e vivia diariamente a expectativa de ele estar ali: gélido, impávido, mas dócil porque ali e não nas mãos de quem poderia conduzir um grande amor a outro caminho que não seria exatamente o seu. Assim, tolerável e diplomaticamente, conviviam, ela, o doce. E, na sua presença cotidiana, compreendia que o amor é todo ele feito por entradas e saídas, persistências, política e coragem. Sim, coragem. Porque passou certo tempo acreditando que o amor era necessário para o alento das fragilidades da alma, mas, amando vida afora, aprendeu que se trata mesmo é de um ato doce e desesperado de coragem, este de amar.

Passaram-se mais meses e meses, até que certo dia – estes das convulsões que o amor dá – irritou-se profunda e colericamente com a presença pacífica e ameaçadora do doce. Cansou-se. Sentiu-se em extremo cansaço frente à inércia muda, mas gritante daquele objeto; e dele não se sabia até quando, pois. Então o devorou raivosa e compulsivamente, sentindo o gosto amargo do ciúme desde os lábios até o coração, como bem provoca este veneno, o ciúme.

Engolia das grossas mordidas a aspereza típica do doce cascão; a acidez prazerosa da goiaba. Ainda mais violentamente mastigava os pedaços vítreos da goiabada por saber das intenções passadas que a colocaram ali. Um gosto meio ensangüentado este do açúcar indevido. E o doce passava a uma condição nauseante a cada fisgada enciumada das lembranças de tempos mais tensos, estes da partilha de um mesmo amor.

Exterminado qualquer vestígio do doce, sentiu a paz fugidia e inquieta daqueles que nada sabem sobre o depois. E o depois? O depois veio, sempre vem. O depois lhe chegou com a fria impertinência de outro doce posto no exato lugar – tão gélido, tão duro, tão implacavelmente inquietante quanto nunca. O depois veio como um silêncio que grita liberdade.

Ana Clara Rebouças



Escrito por Ana Clara Rebouças às 22h01
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(...os liláses de Monet...)

 

Das Incongruências

Tudo o que eu sei, somente sei porque amo.

(Liev Tolstoi, em Guerra e Paz, 1865)

 

Já que citamos Gabo no último texto aqui postado, continuemos a falar sobre esta artéria vital que é a literatura, e de seus veios, seus mestres sagrados. É que só mesmo Gabo para me tranqüilizar a respeito das urgências – estas nossas que temos todos, cada um a seu modo e ao seu teor – de lograr um sonho fundamental no espaço-tempo das nossas biografias. No meu caso, um livro. Gabo, por exemplo, me confessa que levou nada menos que dezenove anos para escrever os seus Cem Anos de Solidão. Entre as idas e vindas com enredos e alinhavos, foram então quase duas décadas! Isto me traz certo alento, embora não resolva de todo a inquietude do que estar por se fazer.

É por estas e outras que gosto tanto das biografias, melhor ainda, das autobiografias porque tanto assim conhecemos o quanto de humanidade cabe nos gênios, o quanto de heresia cabe nos santos. Desnudam-se os pecados, revelam-se os segredos, os nossos, inclusive. E reconhecemos pois as incongruências das nossas próprias vidas. Incongruente tem sido o fato de eu não me dedicar o quanto gostaria e deveria à felicidade absurda e dolorosa da escrita. Sim, que não se engane: nem sempre, talvez, quase nunca, os textos fluem; na maioria das vezes, os textos doem. A propósito, Lispector já descrera isto muito bem.

Incongruentes, portanto, têm sido os dias. Às vezes, a sensação é de que a vida caminha tortuosa demais ante aquilo que mais se deseja. Porque penso que seria necessário pausar esta vida prática, ordinária, burocrática para ceder muito mais espaço à criação. E isto nunca tive na vida: tempo largo e exclusivo para a escrita quando esta se revelou a mim enquanto uma necessidade vital. O próprio Gabo revela que não raro passou anos e anos dialogando com as personagens das suas tantas tramas e tecendo ponto a ponto todas as suas vicissitudes. Ou seja, isto requer tempo e espaço vastos, muito vastos.

Não apenas Gabo, mas Sabato também – de quem ficamos órfãos há menos de um mês – nos alertava, em “O Escritor e seus Fantasmas”, que a condição mais preciosa do criador é o fanatismo. E acrescenta: tem que ter uma obsessão fanática, nada deve antepor-se a sua criação, deve sacrificar qualquer coisa a ela; sem este fanatismo não se pode fazer nada importante. Depreendo disto que precisarei – preciso, é bem verdade – de todo tempo, espaço, energia e empenho para a devoção que uma cria exige do seu criador.

A esta altura, este texto deixa de ser algo perto de uma crônica para ganhar mais um tom de desabafo. Uma amiga muito querida, inclusive, do mundo das Letras, diria que aqui – sim, este humilde blog que vos fala – já não é mais espaço para despejos assim tão pessoais. Entendo perfeitamente o que ela quer me dizer, com toda a melhor das suas intenções, todavia entre o entendimento e a liberdade da palavra, cedo à segunda opção porque mesmo implacável.

Outra amiga, igualmente querida e devoradora sagaz da boa literatura, já defenderia o contrário: que caberia aqui a palavra livre, tal como vem ao mundo, desde quando seja em nome de uma constante atualização dos textos postados. Entendo absolutamente também o que me sugere, com a mais nobre das suas intenções, porém entre o entendimento e a rebeldia da palavra, rendo-me à segunda porque ela – a palavra – só vem quando quer.

Enfim, entre liberdades e rebeldias, sigo servindo à palavra. O contrário também se aplica: sigo me servido das palavras. Principalmente porque, em meio às tantas incongruências vividas cotidianamente, o blog é trégua, o blog é uma casa que eu gosto de estar. E que fique claro: não desmerecendo meus esforços e elogios generosos que me chegam, ainda está longe, muito longe do que gostaria de alçar em um livro. Vejo-o, portanto, como pequenos vôos, mas tão cheios de sinceridade e de mim. O blog, esta casa onde gosto de estar.

Sei que ainda precisarei dedicar-me cega e obstinadamente... Resta-me seguir os impulsos...

Ana Clara Rebouças

 



Escrito por Ana Clara Rebouças às 11h21
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(Mami e eu nos idos do século passado, Chapada Diamantina, 1980)

 

Dos Arcádios, dos Aurelianos

Para a família Rebouças, tão marcadamente enovelada entre seus Aurelianos, seus Arcádios.

Só sei dizer que Gabriel Garcia Marquez em seu “Cem Anos de Solidão” poderia facilmente ter descoberto as leis da genética se fosse o caso, antes mesmo de Mendel lá pelos idos de antigamente. Todavia, Gabo a teria feito assim muito mais cheia de lirismos e encantamentos; assim muito mais poética – e nem por isto menos convincente – seria a teoria do que já é o simples e complexo fato de descender.

Neste sentido, entre as sucessões de Arcádios e Aurelianos, é tanto bonito de se ver a redundância inusitada-previsível que a natureza tem. Isto porque, talvez, seja então do feitio da vida esta doce tentativa de imprimir as existências nas faces, nos jeitos, nos gostos, nos gestos, e então perpetuar gerações e gerações no tempo, no espaço. É mesmo lindo de se ver o afinamento harmonioso dos acasos.

Sigo pensando sobre isto justamente uma vez que nestes últimos anos tenho me achado muito, mas muito parecida mesmo com a minha mãe. Inclusive, como jamais cogitei parecer porque não somente tenho expressado as suas virtudes – modéstia à parte, nobres virtudes – mas também das suas cóleras e manias caóticas de desorganização, por exemplo. Daí, sou obrigada a concordar que isto que chamam de “genética” – e que Gabo descreveria em seu livro tão extraordinariamente – é mesmo implacável.

Sendo assim – uma expressão inusitada e previsível da minha mãe – tenho me furtado a tantos caprichos dentro do dia a dia, o que chamarei aqui de cotidianidades, que tem sido como um direito irrestrito a concessão diária de um prazer, um único e simples prazer, nem que este venha da simples rosa que se avistou de uma pobre sacada solitária. Porque minha mãe é – sempre foi – muito mais dada às cotidianidades do que às projeções: minha mãe, e tenho assim sido, é muito mais presente do que futuro, minha mãe é o dia de hoje.

Somos então, a minha mãe e eu, cheias de lapsos de cotidianidades: ao invés de castelos, vastos castelos, somos dadas ao banco da praça porque ali, somente ali, passeia uma brisa de fim de tarde, tem o cheiro de café das casas vizinhas e as crianças sorriem ali porque livres, aos pés do banco da praça. Não que não se deseje os vastos castelos, mas as nossas felicidades, prazeres e alegrias absurdas estão também tão ao alcance das mãos e pertencem a tudo que é da ordem do diário, às cotidianidades. Beiju e chocolate quente têm, por exemplo, o mesmo peso de felicidade do que um banquete farto qualquer; girassol, desconfiamos, tem alguma coisa de divino – prova incontestável da existência de um deus – e só por haver poesia vale à pena ter vivido.

Então tem sido assim: não tenho passado um dia que seja sem que me permita a uma mínima alegria. Todavia, na contramão de toda leveza, não há também sequer um dia que não caiba algum esforço, alguma labuta, de quando em quando, um pesar. Porque, como mesmo diz a minha mãe, inspirada em Santa Terezinha, um dia sem sacrifico é um dia perdido. E ainda que, conscientemente, eu não guarde em mim um traço de religiosidade qualquer, tenho apreço por este empenho, assim tão cheio de fé, que vem da minha mãe, e que, por sua vez, vem da minha avó. Assim, entremeando os sacrifícios nossos de cada dia, nos permitimos ao hábito incontrolável de alguma felicidade, mesmo que isto tenha um custo de ordem qualquer.

Portanto, entre os enovelados Aurelianos e Arcádios, devo confessar que sigo mais a linhagem que vem da minha mãe e que, certamente, veio da minha avó. Dela, entretanto e infelizmente, desconhecemos as suas redundâncias – e toda a poética que delas viria – perdidas que estão na sua ascendência italiana paterna e nas raízes africanas que corriam vívidas nas veias da bisa. Pena, as desconhecemos ambas, as quais nem ela mesma teve acesso. Incongruências do viver. No mais, seguimos nos encontrando e nos perdendo; reconhecendo-nos e nos surpreendendo com as reedições fantásticas que a vida nos traz...

Ana Clara Rebouças



Escrito por Ana Clara Rebouças às 23h37
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(Flor dos Três Corações por ACRebouças, Rio de Janeiro, 2011)

 

Dos Adeuses

Para Sibele Rebouças, minha outra mãe.

"...todos os encontros são adeuses..." (Mário Quintana)

Muito cedo aprendi que a vida é tecida fora a fora por adeuses. Sim, a vida é mesmo toda feita de adeus. E foi na altura dos meus oito anos de idade, assim realmente tão cedo, que aprendi, por exemplo, o que é perder a convivência diária de um grande amor. Grande amor, a esta época da vida, só poderia mesmo ser daqueles que habitam o mesmo lar: uma tia amável, quem me cuidou desde o nascimento e bem ao seu modo particular: laços de fita, dança na chuva, pão-de-ló oferecido no meio de uma tarde qualquer, beijo morno na testa tal qual pétala em queda. É, o meu primeiro grande adeus me chegou – e talvez só poderia mesmo vir assim – das incoerências do amor.

Adeuses desvelados um a um, na mansidão dos outonos e primaveras, na euforia dos verões ou na calmaria tristonha dos invernos. Adeuses de todas as naturezas, tons, intensidades, loucuras vida e estações afora. No caso precoce e específico da minha tia, casou-se e partiu para viver em outra cidade longe dali, onde vivíamos um tipo de dia a dia que fazia zelo e afetos. Foi realmente um duro e dolorido adeus. Passadas quase duas décadas, aliviou-me, e alivia, o fato da minha tia permanecer junta a seu grande amor até os dias de hoje, notável raridade em tempos nossos de tamanha fluidez dos laços todos.

Confesso que, àquela época, já experimentava, junto com a sensação progressiva da perda, o ciúme, este primo próximo do adeus que não se desejou – ou do risco de. Sim, chegava-me a frieza cortante do ciúme ao vasculhar clandestinamente pela fresta da janela, e na pontinha dos pés miúdos, os beijos e abraços amorosos de namorados inundados da luz do luar. Todavia, aquietava-me o coração e roubava-me o mais feliz dos sorrisos de dentes de leite quando voltava das sessões de luas apaixonadas e me dedicava doces canções de ninar, tão bem entoadas em sua voz suave. Entendia então que não se tratava de adeus: amor que é amor é, pois, recorrente. O amor: renovadas idas e vindas, de esplendor e adeus.

Longe dos tempos de dentes de leite, aprendi, entretanto, que há adeuses enquanto fatos e processos: longas partidas, a passagem do tempo, novas formas de, o extremo da morte. E todo mundo lida, ao seu próprio modo, com os adeuses que lhe chegam implacavelmente, pois sempre chega o adeus. E o bonito da vida está nesta infinidade em se recriar sobre as circunstâncias. Há então quem se confine nas memórias; há quem se alimente dos lamentos. Há quem viaje o mundo; há quem prefira o bar. Há os adeptos da fé; há os que saem para bailar; e há quem compre compulsivamente. Há quem se dedique exaustivamente à poesia; há quem prefira um caminhar solitário à procura de. Há tantas formas de se reencontrar...

...dentre os tantos adeuses, o único enfim ao qual não podemos ceder é o de nós mesmos...

Ana Clara Rebouças



Escrito por Ana Clara Rebouças às 19h24
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(Disponível em: http://www.6milliardsdautres.org/index.php)

“Seis Bilhões de Outros”

Dizia um sábio que “não padece de solidão quem tem vida interior”. Pensei nisto ao percorrer os veios tão vívidos de São Paulo, cidade pela qual tenho profundo fascínio. Era um domingo de Páscoa e, longe de casa, da família, optei por passar o dia entre “seis bilhões de outros”, como bem se intitulava a exposição em um famoso museu da capital. E assim, em meio a tanta diversidade, a tanta riqueza, esta ímpar que vem da pessoa humana, não se pode mesmo se sentir só.

É assim que São Paulo sempre me recebe: entre seus tantos milhões de outros, esta gente tão diversa, mas tão sua. São Paulo da sua gente tão exaustivamente trabalhadora. Emociona-me o trabalhador de São Paulo, o tanto de esforço com o qual tece vida. Emociona-me encontrar os conterrâneos e, aqueles que me prestam um serviço qualquer, o fazem com redobrada generosidade porque, talvez, encontrem em mim um tanto de história e de afetos que deixaram para trás.

São Paulo me recebe com suas grandes avenidas agitadas, tumultuadas de corpos e avidez, mas também me acolhe em suas ruas estreitas, pacatas, cheias de memórias e nostalgias. São calçadas cheias de doces quaresmeiras lilases: São Paulo me acolhe com a generosidade de um céu claro, mas também com sua garoa tristonha ou as chuvas tórridas sobre mentes e corações.

São Paulo é o mundo todo; é Brasil norte a sul; é nordeste, sua gente, força, persistências, temperanças. São Paulo é contínua construção: sua ética, sua lógica, suas métricas. São Paulo é ousadia: sua estética libertária, revolucionária, renovada nos tempos, espaços. São Paulo me acolhe com as suas surpresas. São Paulo é pulso, impulsos, sonhos, projetos. São Paulo é poesia, é concreto, é pluma, é densidade. Poemas, suspiros fumos no ar...

Ana Clara Rebouças

 



Escrito por Ana Clara Rebouças às 12h05
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(por Botero)

Casal Recente

Se há uma categoria sui generis muito interessante entre estas nossas variadas formas de relações humanas é aquela que chamaremos aqui de “casal recente”. Pois bem. A própria denominação proposta dispensa grandes explicações do que venha a ser, mas a descrição de alguns aspectos que configuram este estado ou condição transitória, diria, mesmo efêmera – e infelizmente, ao menos, a meu ver – merece um olhar mais atento. Vamos lá.

Casal recente, como acima refiro, é um estado mútuo de abobalhamento encantado entre os pares. Uma espécie de catatonia focada. Certo torpor, uma sensação de mundo leve. Casais recentes exacerbam seus lirismos, são cheios de margaridas nas janelas, cheios de palavras generosamente colhidas; cheios de delicadezas nos atos que compõem as horas dos dias, mesmo, quando se tratam de segundas-feiras assoberbadas de providências concretas, urgentes. Para os casais recentes, há sempre espaço para uma flor esperada ou inesperada, um verso caloroso, um poema extasiante, um café no fim da tarde, um pôr-do-sol mais bonito do que já se é.

Casal recente tem cara de casal recente, jeito de casal recente, ar de espaço absorto, de efêmeras eternidades. Para casais recentes, o tempo tem outra dimensão: exatamente a do tempo em que se quer estar junto. E estar junto remodela o tempo-espaço. Deve ser por isto que os amigos, parentes, e tantos outros entes reivindicam, por vezes, meio enciumados, uma presença que tarda a acontecer. Paciência, as coisas se equilibram depois; é da vida.

A pessoa em estado de casal recente, em geral, tende a se tornar monotemática: excesso de encantamento ao qual é preciso dar certa vazão. Daí, mais uma vez, coitados dos amigos mais próximos: exige-se toda paciência e compreensão para esta fase, digamos, assim tão exacerbada de passarinhos na alma. Casais recentes são redundantes, distraídos, esquecidos, dias azuis cheios de lírios.

Mais um estado de espírito, realmente, pleno de encantamento do que exatamente um modo contínuo de conduzir as relações, o que, inclusive, pode explicar em parte os surtos de tédio e intolerâncias que não raro atingem os casais por aí, vida afora. Ou seja, é preciso não deixar o tempo esgarçar a fina tessitura que é esta a do estado recente de amar. É preciso, portanto, aprender a se amar recentemente no correr dos anos. Prolongar o amor recente. Acertando ou errando, como é próprio da vida humana em toda ela, é preciso renová-lo, o amor, como surpresa diária, como segredo revelado, como olhar de primeira vez. É mesmo como diria Lispector: “todos os dias quando acordo, vou correndo tirar a poeira da palavra amor”.

Tiremos sempre a poeira, os vícios, os óbvios, os poréns, os “senão”. Brindemos sempre as chances que a vida nos dá de amar profundo e recentemente um novo ou um mesmo amor. Vivamos sempre o amor renovado dia a dia, estado perene de fina flor. A propósito, vida longa aos casais recentes!

Ana Clara Rebouças



Escrito por Ana Clara Rebouças às 18h27
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(Por Belle Mojás)

 

Dos lapsos, das desimportâncias

Para Murilo Guerra, com quem compartilho lapsos e tantos outros encantamentos

Era meia de tarde de uma destas terças-feiras e a seguinte delicadeza abruptamente interpelou o dia: “sonhei com você”, disse-me uma amiga muito querida em um encontro de corredor. E acrescentou: “sonhei que me trazia uma poesia toda tecida a próprio punho e que me fez um chorar manso”. Em meio ao turbilhão dos prazos, urgências, compromissos, passei então a achar esta revelação a coisa mais importante das últimas horas vividas naquela terça.

Foi o alento que precisava porque sofro cotidianamente de uma espécie de lapsos de desimportâncias quando o assunto é o concreto das coisas, a tal ordem do dia. Lapsos de desimportâncias são um estado de suspensão momentânea e involuntária dos valores das coisas dos fatos, dos fenômenos triviais todos. Sim, e me refiro a valores mesmo, o que torna tais episódios um tanto quanto mais graves e intensos porque valores!

Recorrendo à fluência dos exemplos, é como se alguém lhe abordasse no meio de uma tarde comum, e assim vorazmente enfático, assim cheio de uma sinceridade do tipo útil, a lhe informar um assunto qualquer, então considerado de extrema importância, e aquilo lhe cair como a maior das irrelevâncias do mundo. Apesar do teor utilitário da informação, aquilo lhe soa realmente sem nenhum valor. Risco maior de ocorrer estes lapsos de desimportâncias, destas crises agudas de desvalorização seletiva - vamos assim dizer – quando se tratam de aporrinhações cotidianas, negócios mirabolantes e improváveis, excessos de burocracia, posições ultra-pragmáticas, acumulações, etc.

Mas sejamos mais claros: lapsos são lapsos, isto é, não são condições crônicas, permanentes, quiçá, estáveis. Exceto para os poetas, lapsos de desimportâncias não são a regra, são exceção. E como tais passam, revolvem o previsível, pausam as ansiedades, contrariam o tédio; depois, tudo volta ao normal, afinal, se é preciso sobreviver neste mundo de valores tão distorcidos, meu Deus! Ou seja: é necessário pagar as contas, quitar os impostos, consertar o ar condicionado, ir às infindáveis e, muita das vezes, desinteressantes reuniões de trabalho quando, mesmo sendo uma tarde de terça, o espírito quer mesmo é voar para os confins da existência onde se é mais sinceramente feliz.

Falando em poetas, a esta altura, devo confessar que em se tratando da arte estamos na contramão da tendência descrita acima. Pois bem! Com a arte, estes lapsos, pelo menos para mim, eles não afetam a sua respiração contínua. Para a arte, não há tempo ruim. Arte é sempre uma tarde cheia de brisa. Para a arte não há suspensão, não há saturação, não há qualquer sorte de tolhimentos. Na arte, se há lapsos, estes sim são de impulsos criativos, de uma liberdade extasiante, de uma vontade danada de viver.

Devo ainda dizer que há aqueles, sobretudo, para quem dois mais dois é sempre igual a quatro, cujos lapsos de desimportâncias quase inexistem. Deve ser porque, para eles, é sempre coincidente tudo aquilo que creditam o maior valor àquilo que causaria desimportâncias aos poetas, por exemplo. Ou no sentido inverso: via de regra, não valoram tudo aquilo que os poetas considerariam da mais extrema raridade, portanto, absolutamente importante, tal como a despretensão das orquídeas em existir nos mais inóspitos dos espaços; ou se deparar com um “cuco” na parede alheia, e pensar em como ele teima em resistir a um tempo de hoje que só quer debandar. Só os poetas, e os afeitos à poesia, valoram mais - assim muito, sincera e profundamente - estas coisas do que as oscilações da bolsa de valores, por exemplo.

Enfim, é mesmo como o nosso amável Manoelzinho de Barros nos diria em meio as suas “desimportâncias” ao se referir às “disfunções líricas” das quais sofrem os poetas: “acabam por dar mais importância aos passarinhos do que aos senadores”. Tem toda a razão. Ou quando diz que eles, os poetas, e eu diria as crianças também, têm “amor por seres desimportantes tanto pelas coisas desimportantes”. Tem toda a razão.

Pois bem. Entre tantos os lapsos e as desimportâncias, prefiro sempre o repouso mais alentador que me é a poesia: refúgio mais doce dos meus déficits de utilitarismos. Entre os prazos e as urgências, prefiro sempre as raridades e os inusitados que só encontram pouso no verso. Entre as tantas “disfunções” e “estranhamentos”, prefiro sempre as funções líricas da palavra, mesmo que elas pausem o fluxo previsível de uma terça-feira qualquer.

Ana Clara Rebouças

 



Escrito por Ana Clara Rebouças às 00h33
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(Neruda, por alguém com muita sorte)

Aleatórios

Para Marília Prado, quem me convida diariamente à palavra. 

Dia desses, uma grande amiga, por sinal, das mais incentivadoras deste blog, veio me dizer que eu deveria postar diariamente os textos por aqui, ainda que de modo mais, mais – talvez – “econômico”. Isto é, coisa até de poucas palavras, acho que assim quis dizer. Como sua opinião é sempre muito importante para mim, me vi reflexiva e mesmo inquieta com a sua sugestão.

Entre tantos pensamentos que me ocorreram, especialmente, fixei-me no seguinte fato: é que os textos, as palavras todas, os versos, ao menos no meu caso, melhor, na minha “metodologia particular” de criação, bem, eles têm vida própria. Sim, os textos de qualquer gênero, o inusitado versos, as palavras de qualquer natureza são todos eles voluntariosos. Aparecem quando querem e bem entendem; têm autonomia; na maioria das vezes são rebeldes; e, pior, quase sempre são inoportunos, dada a recorrência deles nas mais inconvenientes das horas, a exemplo de enterros, de reunião com a chefia, de fila de banco, especialmente, quando não se está devidamente munido de caneta e papel.

Neste último caso, ou em circunstâncias similares, é tanto mais grave porque, na inviabilidade de anotá-la em algum lugar – a ideia – o risco de perdê-la na imensidão estelar dos outros pensamentos diários e urgentes é altíssimo. E depois, como mesmo confirmam tantos poetas por aí, embora eu não seja exatamente poetisa, a ideia – tal como ela se revelou em seu estado bruto e raro - se perde para sempre, pelo menos, em sua concepção original. Na melhor das hipóteses, quando isto ocorre, resta-nos catar as migalhas de alguma lembrança, rogando aos deuses que não se trate da melhor ideia que poderíamos ter tido no intervalo todo entre ter nascido e morrer.

Pois bem, acontece. E para além de reflexiva com a afirmação da amiga querida, me flagrei também um tanto quanto saudosista de um tempo largo que tive na vida, obviamente na mocidade dos meus dias, no qual poderia me permitir a um bom punhado de contemplação do mundo, das horas, dos minutos, segundos, fio a fio. Saudosista, melhor, melancólica, como convém à saudade, pensei o quanto deveria ter aproveitado, sim, explorado mais destas eternidades das tardes todas livres para doá-las inteirinhas à palavra. Não o fiz. Paciência. São as incongruências da vida com as quais temos que aprender diariamente a lidar.

Ainda sobre efeito da reflexão incitada pela minha amiga – curioso isto – mas ocorreu-me também rememorar um tempo em que me dediquei a alfabetizar adultos e idosos. Fora na altura dos meus “boquiabertos” vinte e poucos anos e considero esta passagem uma das coisas mais lindas deste meu viver. Tanto assim que, certamente, retornarei a estas memórias ainda por muito tempo, sobretudo, quando tiver que buscar lirismo para tocar adiante a palavra neste doce e árduo ofício da escrita. Afinal, descobrir a palavra é mesmo poder se encher de lirismos, como pude constatar nesta experiência singular.

Recordo-me com muito carinho do quanto das minhas horas diárias eu dedicava a bordar, verso a verso, como e qual sílaba por vez apresentar àqueles olhares tão ávidos por sabê-las, as palavras, o divino mistério da sua existência concreta no branco do papel. De modo que sempre pensava muito, trabalho duro mesmo, para desvendar qual poesia, qual canção, qual parodia poderia ser mais conveniente para falar, por exemplo, que cinco vogais formam uma sinfonia infindável de sons, sentidos, arrepios, emoções.

Por falar em emoção, nesta experiência ímpar, assaltava-me um modo muito particular de me emocionar com o “aprendizado” daquelas pessoas tão lindas. Uma espécie de sensação dual: uma mescla meio amorfa de prazer em ser eu a oferecer um verso em primeira mão e, ao mesmo tempo, uma angústia dolorosa de sabê-los tão tardios para eles no universo de estrondosa riqueza da palavra escrita. Coisa estranha, de certo, merecedora de tantos outros textos para além destes desabafos aleatórios.

Pois bem. Fez sentido agora relembrá-los, os meus nobres alfabetizandos, porque justamente a esta época as palavras me saltavam das mãos, dos poros, dos suspiros, das gotas de suor da minha fronte. Era sempre uma profusão de palavras, de idéias, de desejo irrefreável de usá-las todas para o bem daquelas pessoas. Parodiando aqui Neruda, queria eu oferecê-los todas elas, as palavras, abusá-las, exauri-las, esgotá-las ante àqueles olhares tão encantados e absortos entre as letras de um poema, de uma canção.

Voltando à sugestão da minha amiga, conclui, assim mesmo aleatoriamente, que é preciso revolver as memórias, tocar nas delicadezas que brotam nos dias (estar atento a elas), dedicar mais dos fios das horas à inspiração. E mais: ser servil, mesmo, subserviente à vontade própria da palavra para poder doar ao mundo assim diariamente aquilo que tanto lhe faz falta para ser um tanto absurdamente melhor: prosa-poesia.

Ana Clara Rebouças

 



Escrito por Ana Clara Rebouças às 23h16
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